Voltar ao mapa da fome é alerta de um futuro de incertezas

Recentemente a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgou um relatório que inclui o Brasil em uma triste lista. De acordo com a instituição, 60 milhões de Brasileiros vivem em uma rotina de insegurança alimentar – uma em cada três pessoas, para exemplificar.
No mundo, muitas nações também integram a lista e os mais pobres, com destaque para o continente africano dificilmente terão a fome erradicada até 2030, objetivo mundial anteriormente firmado.
A pandemia é um dos fatores que agravou esse cenário, colocando as relações comerciais internacionais cada vez mais em lados opostos. A invasão da Rússia à Ucrânia já trouxe seus resultados e o Brasil, ainda dependente de diversos insumos como trigo e combustíveis enxerga a onda da inflação se agigantar. Sobre este ponto, a geração nascida depois de 1994, data da criação do plano Real, está vendo pela primeira vez a disparada dos preços de todos os produtos, algo que nas décadas de 1980 e 1990 tiveram uma expressão muito maior, é verdade, mas que serve de alerta para o momento atual.
A crise na financeira na Argentina também assusta, uma vez que o país vizinho é importante parceiro comercial da Brasil.
O ano eleitoral e as tensões políticas oriundas deste período são outros fatores que causam instabilidade no mercado interno, empurrando para baixo quem é mais pobre, que por sua vez tem cada vez mais dificuldade de acessar o alimento.
Em Dom Pedrito, a fome também existe. Com a economia girando basicamente em torno do setor primário, a concentração de renda criou na esteira das décadas um abismo social muitas vezes não perceptível. Somos um município rico, mas de gente majoritariamente pobre, e talvez este seja um dos grandes desafios da Capital da Paz, qual seja, distribuir melhor a sua riqueza.
De qualquer sorte, acreditar em um futuro melhor e mais próspero, movimentando cada um as suas forças em favor de um objetivo em comum, precisa ser o dever de todos, enquanto sociedade. Dias melhores virão!