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Reportagem especial: cães de rua, questão de saúde pública e bem-estar animal

Na reportagem especial desta semana, abordamos uma questão que tem estado em discussão há muito tempo: a presença de animais, principalmente de cães em nossas ruas. Além de problemas de saúde pública – zoonoses – os animais também estão sujeitos a maus tratos. Os menos sociáveis acabam atacando transeuntes, como já noticiado em algumas ocasiões. Fato é que o problema é latente, objeto de debates e precisa se buscar uma solução. Não total, mas, ao menos, tentar minimizá-la.

Para a mestre em Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professora do Curso Técnico em Agronegócio da Qwerty Escola de Educação Profissional, Dom Pedrito é uma zona endêmica de zoonoses, além da população de cães ser crescente no município. “Existe um problema muito sério, a falta de estimativa de cães de rua, não temos esse dado. Temos dados de cães domiciliados que estão na rua”, diz Isabel, pontuando que é necessária a devida punição para pessoas que abandonam cães. “O poder público é responsável, até certo momento, enquanto ele ainda não está efetuando as castrações. Mas frisamos que castração não é a solução do problema, a castração é uma alternativa”.

Sobre castrações, a professora salienta que a administração deverá começar pelo canil, pois há certeza que os animais que lá estão abrigados não têm dono. Isabel enfatiza que esta é mais uma questão de educação, que deve ser trabalhada nas escolas. “Não é só o cão de rua que transmite doenças (…) é um problema que deve ser debatido”.

Em relação às zoonoses, Isabel diz que Dom Pedrito notabiliza-se pela hidatidose, mas também há casos de toxoplasmose e leptospirose – principalmente nas áreas onde há alagamentos.

O acadêmico de zootecnia na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e voluntário da ONG Amigo Bicho, Felipe Luedke, também afirma que é necessário trabalhar na conscientização da população. Com a alta demanda de atendimentos, a ONG necessita seguidamente de recursos para manter suas atividades, entre as quais, a realização de algumas castrações de animais de rua, além de oferecer atendimento clínico para alguns cães.

O prefeito Mário Augusto de Freire Gonçalves, durante sua participação no programa Opinião, relatou que o Executivo mantém contato com a ONG Amigo Bicho e ressalta que as castrações são a alternativa estudada para tentar controlar a população canina. A reforma de um prédio na rua Júlio de Castilhos, que deverá servir como centro de castrações, está em estudo.

Trabalho acadêmico publicado em 2010, através da Unipampa, com o objetivo de estimar a razão/residência em que há presença de cães, mostrou que 705 residências na zona urbana que possuíam cães, revelando uma razão cão/residência de 1,99%. Segundo os entrevistados, 70,7% possuem como finalidade a criação de cães para companhia. Embora os entrevistados tenham respondido que apenas 4,5% dos cães possuíam livre acesso à rua, observou-se que, exceto os animais criados em canis, todos os outros tinham acesso a rua devido a ausência de muros e/ou correntes para contenção.  Decorridos sete anos, não mudou muito desde então.

Este será o tema do programa Opinião da próxima segunda-feira, a partir das 17h, ao vivo, pela Qwerty TV – http://tv.qwerty.com.br – ou pelo Facebook da Qwerty Portal de Notícias. Deixe seu comentário diretamente na live ou comente na postagem, não deixe de participar.

Fonte: “Estudo na zona urbana do município de Dom Pedrito, RS sobre aspectos relacionados à criação de cães”.

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