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Qwerty Editorial – A culpa é sempre da vítima

Seja pela roupa que esteja usando, pelo horário ou lugar em que esteja passeando ou o parceiro com quem esteja saindo, a responsabilidade é sempre dela

Após mais um caso de tentativa de feminicídio que foi divulgado nos últimos dias envolvendo uma mulher de 55 anos e um homem de 27, onde a vítima foi brutalmente espancada pelo agressor durante quatro horas dentro de seu próprio apartamento, podemos observar em muitos comentários pelas redes sociais o julgamento pelo qual a mulher passa nesses casos.

Uma palavra de conforto acompanhada pelo “mas”, “porém” e “entretanto” pode ser a diferença entre julgar o vilão ou a mocinha.

E não é raro de acontecer. Em casos de estupro, a incidência pode ser ainda maior. Justificados por uma saia curta, um passeio sozinha durante a noite, um contato diferente com o agressor ou um simples encontro com uma pessoa recém conhecida pode ser o suficiente para receber todo tipo de julgamentos na internet por pessoas que acreditam que a violência se resolve mantendo as potenciais vítimas dentro de suas próprias casas.

Fato é que a violência está cada vez mais forte e constante em nossa sociedade e os níveis se tornam cada vez mais alarmantes: segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), desde o início deste ano foram 126 casos de feminicídio no país, ou seja, mulheres mortas por questão de gênero, e 67 tentativas de homicídio.

Seriam estas mais de 100 mulheres algozes do próprio destino?

Seriam elas as responsáveis por “cavar a própria cova”?

Mulheres são mortas todos os dias em todo o mundo por seus maridos, namorados, filhos, pessoas conhecidas ou desconhecidas.

Não importa a roupa, o lugar, o horário ou a ocasião. A culpa é sempre do agressor.

Em caso de violência doméstica, ligue 180.

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