Prêmio Ramón Antônio Torres é instituído no município
Medalhas condecorativas homenagearão comerciantes locais. Conheça os homenageados

A prefeitura de Dom Pedrito anunciou recentemente a publicação do Decreto n° 66, que institui o prêmio “Ramón Antônio Torres” em alusão ao comerciante que em 1850 edificou uma casa comercial às margens do Rio Santa Maria e lá alcançou grande destaque ao comercializar artigos requintados de todos os tipos. Ramón também foi vice-cônsul do Uruguai.
Anualmente, o prêmio Ramón Torres fará a entrega das medalhas como forma de honraria, que serão entregues, no mês de julho, para cinco empreendedores e/ou comerciantes locais de acordo com a temática anual que será definida por critérios estabelecidos pelo chefe do Poder Executivo e comissão específica designada para tal fim.
AS MEDALHAS
- I – Medalha Nazeazeno dos Santos Vargas;
- II – Medalha Bernardino de Vargas Royes – Bacará;
- III – Medalha Nestor Machado;
- IV – Medalha Flávio Alves Bueno;
- V – Medalha Luiz Mário Valejos Machado.
Neste ano, ano de criação do prêmio, a temática será: “Personagens do Desenvolvimento Histórico do Comércio de Dom Pedrito”.
Conheça os comerciantes homenageados até agora:

NAZEAZENO DOS SANTOS VARGAS
Nasceu em São Gabriel, em 3 de agosto de 1918. Ainda criança, sua família mudou-se para Dom Pedrito. Mais tarde, realizou seus estudos secundários em Santana do Livramento, em regime de internato, até os 16 anos, quando retornou a Dom Pedrito, em razão do falecimento de seu pai Pedro e para acompanhar sua mãe Palmira.
Casou-se, em 7 de outubro de 1939, com Adelina da Rosa Riet e, juntos, completaram 62 anos de união, da qual resultaram seus quatro filhos – Zoila, Carlos Roberto e as gêmeas Maria Elaine e Maria Helena – e 11 netos.
Dentre as atividades por ele desenvolvidas em Dom Pedrito, destaca-se a sua atuação na área comercial, iniciada na criação, em 1939, de uma loja que se tornou, no decorrer do tempo, um estabelecimento tradicional na cidade. Começou no ramo da papelaria, incluindo a instalação de tipografia e revelação de fotografias. Ampliada em 1958 para a linha de bazar, diversificou gradativamente a oferta de artigos que contemplavam, entre outros, cobertas de mesa, faqueiros, cristais (com grande aceitação como presentes de casamento); materiais de caça e pesca; fios, lãs, linhas e artigos para artesanato; armarinho; cosméticos e maquiagem; vestuário masculino e feminino e brinquedos.
Na área dos brinquedos, a loja tornou-se referência especialmente na época natalina, quando surgiu, nos anos 60, a ideia de introduzir um atrativo especial: os clientes compravam os presentes e, na noite de Natal, o Papai Noel da loja realizava a entrega para as crianças. O mais gostoso era que, quando chegava dezembro, nos fins de semana, à noite, as crianças, eufóricas, faziam a maior festa diante das vitrines, escolhendo os presentes que gostariam de ganhar!
Nazeazeno sempre gostou muito de se comunicar com as pessoas e, em razão disso, prestou serviços relevantes a Dom Pedrito e seus habitantes ao dedicar-se ao radioamadorismo, transmitindo de forma voluntária, através do prefixo Py3AHN, notícias e informações que amenizavam a precariedade das comunicações na época.
A partir dos anos 70, como seu hobby preferencial, Nazeazeno dedicou-se a apicultura, participando em função disso, de vários congressos em nível estadual e nacional, e só interrompeu essa atividade por questões de saúde.
São de destacar ainda, a sua atividade, por diversos anos, na venda de passagens e transporte de encomendas pela Varig e, a atuação, por muitos anos, como Juiz de Paz, celebrando vários casamentos. Ele era muito bem-humorado e brincalhão, uma brincadeira que ninguém esquece o seu célebre aperto de mão.
Em 1992, recebeu o título de Cidadão Pedritense, homenagem da Câmara de Vereadores.
Nazeazeno faleceu em 30 de janeiro de 2004, deixando saudades e admiração por parte dos seus familiares e comunidade pedritense.

BERNARDINO DE VARGAS ROYES – BACARÁ
No dia 5 de junho de 1917, em Dom Pedrito, nascia Bernardino de Vargas Royes, filho de Veríssimo Vargas Royes e Anna Luiza de Vargas Royes.
Sua infância foi marcada por perdas significativas. Em tenra idade, perdeu sua mãe, que tanto sentiu. Passou por graves dificuldades financeiras, tendo a rua como sendo sua morada mais frequente.
Mesmo com todos os obstáculos impostos pela vida, teve ânimo e persistência para vencer, seguindo a vida de comerciante. Aos 20 anos, já casado com Antonina, abriu um pequeno comércio próximo à localidade conhecida como “Boi na Brasa”, onde vendia lenha, carvão e cachaça.
Nascia então seu primogênito, Salmanazar e suas aspirações eram de ascender para dar uma vida melhor a sua família. Logo conseguiu adquirir um terreno na rua Sete de Setembro para construir a desejada loja de secos e molhados de Bacará.
Com a construção da loja e a chegada da segunda filha, Nadege, mudou-se com a família para a rua Sete de Setembro, no mesmo prédio onde funcionava a sonhada loja, que denominou “A Imperial”. Mas, Bernardino era conhecido como “Bacará”, e, portanto, resolveu alterar o nome de seu comércio para “Lojas Bacará”. Para todos, costumava dizer “loja das famílias pedritenses”. Inclusive, um de seus lemas era: na minha loja o “freguês é quem manda”.
As primeiras compras para seu estabelecimento comercial foram feitas em Bagé. Todavia, passado algum tempo, e percebendo a necessidade de ampliar seus negócios para melhor atender sua clientela, partiu para São Paulo, onde venceu talvez o maior obstáculo de sua vida, que era o medo de viajar de avião.
Com o crescimento do comércio, motivado sempre por sua família, viu-se mais uma vez agraciado por Deus, com o nascimento de sua caçula Sandra.
Bacará não era só um grande comerciante, focado apenas na vida profissional. Homem de muita fé em Deus, cultivava a virtude da caridade, era também conhecido por ceder moradia para pessoas necessitadas que lhe solicitavam abrigo. Por 25 anos, assumiu juntamente com a senhora Célia Vicente Y Silva, o Asilo Major Alencastro da Fontoura. Não existia dia e nem hora para essa atividade filantrópica, que lhe dava muita satisfação. Foi Venerável Mestre da Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III.
Segundo relatos de pessoas que se relacionaram com ele, o convívio era repleto de ensinamentos, e ao som de seu saxofone embalou diversas casas em bailes e carnavais.
Seus netos, Regina, Roberto, Ana Luiza, Luciana, Sandro e Rogério, eram seus maiores amores. Não chegou a conhecer seus bisnetos: Guilherme, Mateus, Rafael, Murilo e Benício, que orgulhosamente ouvem as histórias do bisavô.
Também, por relatos, nutria grande amizade por seus amigos, respeito e consideração por seus funcionários.
Em 2017, a família, pelos 100 anos do nascimento deste grande comerciante, o Bacará, teceu as seguintes palavras: “Querido pai, hoje, se fosses vivo, teria completado 100 anos, e em nossa memória guardamos teu exemplo de caráter, humildade e fraternidade. Para nós, viveste fora do seu tempo, sem escolaridade avançada, mas sábio, com conhecimento ímpar da vida. Nós, tua família te homenagearemos sempre, pois enquanto estivemos contigo, fizeste-nos muito felizes”.
Bernardino de Vargas Royes, faleceu no dia 6 de dezembro de 1995, aos 78 anos, deixando saudades na família e admiração por parte de todos aqueles que conhecem a sua linda história de vida.

NESTOR CARDONA MACHADO
Nasceu em Dom Pedrito, no dia 27 de julho de 1909, filho de Afonso Machado e Eustáquia Cardona Machado.
Trabalhador desde cedo, quando guri já entregava jornais e, na adolescência, trabalhava como empregado no comércio local.
Empreendedor nato, na fase adulta iniciou suas próprias atividades comerciais com o “Armazém Sarandi”, junto com o seu sócio Félix Etchechury (firma Machado e Etchechury). Em 1936, quando o Armazém Sarandi já era um dos mais populares e acreditados estabelecimentos comerciais de Dom Pedrito, o mesmo foi destruído por um incêndio. Poucas mercadorias conseguiram ser retiradas antes da propagação do fogo, o que gerou um prejuízo de trezentos contos de réis naquela época.
Apesar da tragédia, Seu Nestor (como era carinhosamente chamado) não desistiu do sonho de ter o próprio negócio, e com sua determinação e arrojo, solicitou na Prefeitura, em 16 de janeiro de 1938, o Alvará de Licença de Firma Individual denominada Casa Machado Secos e Molhados, cujo carro chefe era a venda de pão e carvão, tendo como localização a avenida João Pessoa (hoje rua Rui Barbosa), esquina Júlio de Castilhos.
Já estabilizado financeiramente, casou-se com Oaded Azevedo Machado, em 14 de novembro de 1944, com quem teve três filhos: Jussara, Mara Regina e Carlos Alberto.
No ano de 1950 construiu sua nova loja, com venda de secos, molhados e tecidos (Nestor Machado & Cia Ltda).
A Casa Machado foi um dos expoentes do comércio pedritense, preservando uma tradição de qualidade e seriedade nos negócios, “marca registrada” de seu fundador.
Nestor Cardona Machado, ou “Seu Nestor”, participou ativamente do progresso e crescimento de Dom Pedrito, não só como empresário, mas também como pecuarista e líder comunitário. Foi Venerável Mestre da Loja Maçônica Cruzeiro do Sul IIIª, e fez parte do Rotary Clube, CDL, Associação Comercial e Industrial, Sindicato Rural, clubes sociais e outros. Além disso, era um verdadeiro apaixonado pelo Esporte Clube Cruzeiro.
Relato de familiares nos contaram que quando a 3ª Cia de Eng. e Cmb. Mec. estava em construção, o Senhor Nestor fornecia a alimentação para os construtores, preparada por suas irmãs.
Usava muito a frase: fazer o bem sem olhar a quem – e não gostava que seu nome aparecesse quando fazia doações.
Muito dedicado à família, passou a vida distribuindo afeto, amizade e bondade aos seus pais, irmãs, esposas, filhos, genros, nora, netos e demais familiares.
O casamento que durou mais de 40 anos, frutificou com três filhos, oito netos, 11 bisnetos e um tataraneto.
Nestor Machado faleceu aos 78 anos, em 31 de março de 1988, tão logo comemorado os 50 anos da Casa Machado em 16 de janeiro.
Fonte: Dep. Com. prefeitura de Dom Pedrito