Peritos não emitirão laudos por um mês devido ao parcelamento de salários no RS

Os peritos criminais do Rio Grande do Sul decidiram não emitir laudos por um mês. O motivo é protestar contra o governo estadual, devido ao parcelamento dos salários do funcionalismo público. A decisão foi protocolada nesta segunda-feira (2) à direção do Instituto Geral de Perícias e começa a partir de quinta-feira (5) e vai até o dia 30 de maio. A estimativa é de que 6,5 mil laudos periciais deixarão de ser emitidos neste período. A informação é do presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais da Área Criminal (Acrigs), Rafael Moro.
A maioria dos trabalhos realizados pela categoria é encaminhada à Polícia Civil; portanto, ficarão prejudicadas investigações que envolvam análises de cadáveres; imagens de vídeos; balística; exame laboratorial de drogas e de DNA; identificação veicular e, principalmente, a chamada perícia informática – que envolve computadores, telefones, entre outros. No entanto, Rafael Moro destaca que locais de crime seguirão sendo atendidos pelos peritos.
“Já havíamos sido prejudicados em relação aos reajustes salariais do governo passado em relação às demais categorias da Segurança Pública, mas agora, com o parcelamento, fica difícil trabalhar”, afirma Moro.
Segundo a Acrigs, no Rio Grande do Sul há hoje 231 peritos criminais – e o quadro deveria ser de no mínimo 509 servidores – pelo fato de que este é o número de vagas disponíveis e que não foram preenchidas devido ao cancelamento dos concursos públicos. A entidade diz ainda que a ONU determina um número de 2,1 mil peritos para locais com mais de 10 milhões de habitantes, que é o caso do Rio Grande do Sul. Moro ainda destaca que, se hoje parassem de chegar novos pedidos de perícias relacionadas à informática, levaria 20 anos para zerar todo o trabalho atual. Há 21,5 mil perícias paradas no Departamento de Criminalística, sendo 2 mil de informática.
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