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Mineiros de Candiota buscam apoio para evitar privatização

A privatização e a suspensão dos financiamentos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BDNES) para usinas de carvão foram os temas debatidos no início da noite de ontem, pelo Sindicato dos Mineiros de Candiota. Até o fechamento da edição, o encontro não havia encerrado. No entanto, a perspectiva era de que a entidade firmasse apoio com representações políticas regionais. As informações são do Jornal Folha do Sul.

Perda de direitos
O impasse iniciou no dia 13 de setembro, quando o presidente Michel Temer anunciou um pacote de concessões e privatizações de empresas públicas. A possibilidade é de que os leilões envolvam áreas de carvão de Candiota e a Companhia Rio-grandense de Mineração.

Conforme o presidente do sindicato, Wagner Pinto, se o boato se concretizar, a medida causaria impactos significativos na região da Campanha. Dados repassados pelos mineiros apontam que 60% dos funcionários da companhia, em Candiota, residem em Bagé. Os 40% restantes são das demais cidades. “As empresas privadas têm objetivos diferentes, pois pensam apenas no lucro, no ‘dinheiro no bolso’. Se a CRM entrar no leilão, provavelmente vai ser comprada por uma investidora chinesa. O empobrecimento na região seria grande”, afirma.

De acordo com o sindicalista, a reestruturação deveria acontecer dentro do sistema público de gestão. Ele afirma que, dos últimos três diretores da CRM, nenhum deles era especializado na área de atuação. “As escolhas podem ser de políticos, mas técnicos ao mesmo tempo. Em 2014, mesmo com a crise financeira, a companhia repassou R$ 34 milhões, no final do ano, para o Estado. Essas empresas dão lucro; porém precisam de uma administração competente”, salienta.

Pinto afirma que há um movimento na Assembleia Legislativa para a derrubada da PEC 122/02. A emenda, de autoria do então deputado Vieira da Cunha (PDT), prevê que a alienação, transferência do controle acionário, cisão, incorporação ou extinção da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), CRM ou Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), ocorram com aval de plebiscito popular. Com a exclusão da matéria, a ideia é de que o processo de privatização ocorra de forma direta. Em função desse entrave político, o sindicalista busca apoio de deputados e lideranças políticas do Rio Grande do Sul.

À reportagem, a assessoria de imprensa da CRM afirma desconhecer qualquer assunto pertinente ao tema.

Financiamento
A outra pauta em debate foi as mudanças no BNDES. Segundo o site oficial, o banco extinguiu o apoio para usinas térmicas de carvão e óleo. As novas condições passam a valer para os leilões de outubro e dezembro deste ano. A prioridade fica estabelecida para fontes alternativas, como a energia eólica e solar.

Para o representante dos mineiros, a decisão causará grandes prejuízos em empreendimentos. “Isso inviabilizará projetos futuros, importantes para o desenvolvimento da região”, entende.

O projeto mais próximo a iniciar é a Usina Ouro Negro, em Pedras Altas. O presidente Sílvio Marques Neto garante que a medida tomada pela Agência Bancária Federal não terá influências no canteiro de obras. Recentemente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu Licença Prévia. Agora, a empresa espera a realização de um novo leilão de energia. A perspectiva é de que o trabalho comece no segundo semestre de 2017. “O projeto será financiado com 80% dos recursos financiados por um banco de Hong Kong e os 20% restantes por capital próprio da empresa investidora. Não temos nenhum recurso originário do BNDES”, esclarece.

 

Folha do Sul

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