Em Bagé, festival mobiliza apreciadores de cerveja artesanal

Pelo menos 200 cervejeiros – até as 17h – compareceram no festival de cerveja do The Mug. Com cerca de 30 rótulos artesanais, divididos em cinco cervejarias, o evento mobilizou os apreciadores da bebida em Bagé. O evento também foi alusivo ao aniversário de três anos do pub, completados no dia 15. A perspectiva é de que a iniciativa passe a ser realizada, no mínimo, duas vezes ao ano. As informações são do Jornal Folha do Sul.
Conforme a proprietária, Luíza Mello, participaram cervejarias de Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, Pelotas, Porto Alegre e Capela de Santana. A ideia foi conceder oportunidade para as áreas de produções mais próximas da região da Campanha. O evento também contou com expositores de outros segmentos, como a confecção de produtos artesanais, Umai Sushi Delivery, a loja Medianeira Men’s Clothing, assim como a feira de adoção do Núcleo Bageense de Proteção aos Animais (NBPA).
Vale lembrar que o festival estava previsto para ocorrer no final de semana passado. Em função da chuva, o evento foi adiado. Mesmo assim, o pub abriu às portas e promoveu uma espécie de “pré-festival”. Para Luíza, a iniciativa fez com que a empresa pudesse “medir a temperatura” do que viria a acontecer – no caso ontem. “Percebemos que não há muitos locais atrativos para ir no domingo, em Bagé. Queremos oferecer esse tipo de espaço. A ideia é de que o evento aconteça outras vezes. É também uma forma de abrir espaço para outros frequentadores. Têm pessoas que vêm pouco, muito em função de terem filhos ou de trabalharem nos horários em que o estabelecimento está aberto”, destaca.
Evolução
A empresária aponta uma elevação do consumo de cervejas artesanais no mercado bageense. Quando o Pub foi aberto, Luíza comenta que os clientes eram “verdes”, ou seja, desconheciam os produtos. “Atualmente, eles já sabem as nomenclaturas e conhecem os sabores. Houve um grande crescimento no mercado”, salienta.
Para abrir o estabelecimento, Luíza e o marido César Mello – também proprietário-, viajaram à Europa em 2012. Na jornada, visitaram cerca de 200 pubs da Bélgica, Holanda, Inglaterra e Irlanda. “Já estávamos planejando abrir o negócio em Bagé. Na viagem, fizemos um estudo, analisamos as cervejas, o ambiente. Em 15 de outubro de 2013 abrimos oficialmente”, pondera. Para colocar em prática o planejamento de pelo menos dois eventos a cada ano, a empresária ressalta que depende da aceitação por parte da comunidade. “Primamos muito por uma boa relação com nossos vizinhos. Outro fator de que cuidamos é o lixo nas ruas, por isso disponibilizamos o caneco”, reitera.
Produção caseira
A realização de um festival de cervejas artesanais é a prova de que os produtos são uma mania na cidade. A diversidade de sabores e combinações tem motivado muitos bageenses a produzirem. É o caso do jornalista Francisco Bosco. Ele conta que o gosto por esse tipo de bebida iniciou há oito anos, no casamento de uma sobrinha, no Rio de Janeiro. “Adorei a cerveja. Quando voltei para Bagé, procurei por tudo e não achei. Em 2015, montei uma parceria com um amigo para produzir. Ele tinha os equipamentos, mas não tinha onde fazer. Já eu tinha o espaço. Então, fui a Porto Alegre, em 2015, e fiz o curso especializado”, afirma.
A primeira fabricação de Bosco ocorreu em abril de 2015. Logo, virou parte da rotina do jornalista. Atualmente, ele produz de 30 a 60 litros por semana. Um exemplo é a “Abelhuda”, cerveja vendida no bar temático do Grêmio Esportivo de Bagé. “Criei o logo e eles tiveram a ideia de homenagear os ex-presidentes. O que mais motiva a produção é a diversidade de receitas. Têm pessoas que gostam e nem sabem. É possível fazer sem grandes investimentos. Com pouco mais de R$ 2 mil já dá para fazer para os amigos e familiares”, explana.
Outro adepto é o publicitário Carlos Eduardo Silva. O cervejeiro fabrica para família há aproximadamente dois anos. O motivo é a busca por um produto diferenciado e de qualidade. “É feita para consumo próprio. Procuro sempre o aprimoramento, estudar mais a história da cerveja, sabores, estilos, questões de malpe e lúpulo. Isso para fazer uma cerveja cada vez melhor e ser apreciada pelos amigos que frequentam minha casa”, diz.
Para ele, os recursos disponibilizados na internet possibilitam a criação de novas receitas e descobertas. “Hoje, há também empresas extremamente profissionais nesse sentido. Isso facilita, pois há uma grande estrutura por trás”, finaliza.
Folha do Sul