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Bageense com câncer luta pela vida e pelo medicamento

A bageense Andreia Barcellos Portella luta contra o câncer desde 2012, quando um tumor na mama forçou a retirada do seio. A auxiliar de escritório, com 37 anos, mãe de dois filhos, vislumbra no medicamento fosfoetanolamina uma chance de cura.

Ela pretende ingressar na Justiça para tentar o direito de receber o medicamento, que é pesquisado há duas décadas, mas que, por divergências, sua comercialização não é permitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

Na primeira vez em que enfrentou a doença, a paciente passou por sessões de quimioterapia. Em 2014, Andreia voltou a sentir dores e complicações: foi quando os médicos descobriram que a doença havia voltado. Quatro tumores foram detectados – um deles estava entre o pulmão e a costela, local onde não é possível a realização de cirurgia.

Atualmente, a doença está em metástase (ou seja, avançando) e Andreia, que passa por tratamento de quimioterapia, terá que iniciar as sessões de radioterapia. Durante a manhã de ontem, a reportagem conversou com Andreia. Visivelmente frágil e bastante emocionada, disparou. “Só quero o meu direito de tentar”, elucidou.

A auxiliar de escritório conta que pesquisou sobre o medicamento pela internet e acredita que a fosfoetanolamina é uma oportunidade. “Esta é minha única chance, preciso desse medicamento que custa apenas 10 centavos, enquanto uma sessão de quimioterapia custa R$ 16 mil”, argumenta.

Andreia pondera que buscará na Justiça aquilo que considera como um direito. “A Constituição garante o direito à vida e é só isso o que eu quero”, finaliza.

Entenda

O medicamento é produzido no Instituto de Química de São Carlos – Universidade de São Paulo (USP). No dia 13 de abril, a presidente da República, Dilma Rousseff, sancionou a lei nº 13.269, que autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com câncer.

O decreto esbarra na determinação da Anvisa, que entende que não há nenhuma avaliação de qualidade, segurança e eficácia realizada pela agência; portanto, o órgão não tem como reconhecer, por absoluta falta de dados científicos, a suposta eficácia da fosfoetanolamina para o tratamento do câncer e seus efeitos são totalmente desconhecidos. Esse entrave faz com que os pacientes que acreditam na eficácia do medicamento só tenham acesso à formula por meio de ordem judicial.

Jornal Folha do Sul

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