Bacurau é encaminhado para tratamento pela ONG Coração Amigo
Ave foi entregue aos policiais do pelotão ambiental da Brigada Militar

O trabalho da ONG Coração Amigo em Dom Pedrito possui muitos desafios, sabidamente. Entre eles está o fato de atender animais de todos os tipos desde os domésticos de pequeno porte, aos maiores como cavalos, vacas, etc. Outra característica a ser destacada é o fato de seguidamente os voluntários serem chamados para atendimentos a animais silvestres, como o Bacurau da foto.
A ave foi encontrada por uma pessoa com uma das asas feridas, que entrou em contato com os voluntários da ONG. A partir daí, a Brigada Militar, através de seu pelotão ambiental foi contatado e prontamente veio a Dom Pedrito para resgatar o animal. Ele foi encaminhado para tratamento.
Os voluntários orientam a comunidade para que em caso de encontrar animais, sejam silvestres ou domésticos, que não os mediquem, sendo mais seguro procurar ajuda de um médico veterinário ou mesmo da ONG.
Sobre o Bacurau
O bacurau é uma ave caprimulgiforme da família caprimulgidae. Conhecido também como curiango, curiango-comum, ju-jau, carimbamba, amanhã-eu-vou (em Minas Gerais), dorminhoco (Rio Grande do Sul), ibijau, mede-léguas, acuraua (em alguns locais da Amazônia) e a-ku-kú (nomes indígenas – Mato Grosso). O seu nome é onomatopeico e deriva de sua vocalização.
A ave é citada na música “Amanhã eu vou”, composição de Beduíno, com parceria de Luiz Gonzaga:
Era uma certa vez
Um lago mal assombrado
À noite sempre se ouvia a carimbamba
Cantando assim:Amanhã eu vou, amanhã eu vou
Amanhã eu vou, amanhã eu vou
[…]
Nome Científico
Seu nome científico significa: do (grego) nukti-, nux, nuktus = noturno, noite; e de dromus = corredor, aquele que corre, piloto; e do (latim) albus = branco; e de collis = colo, pescoço, garganta. ⇒ Corredor noturno com a garganta branca.
Características
Mede entre 22 e 28 centímetros de comprimento e o macho da espécie pesa entre 44 e 87 gramas e a fêmea entre 43 e 90 gramas (Cleere 1999, (N. a. albicollis Guilherme & Lima 2020)). O macho adulto apresenta coloração marrom acinzentado com as partes superiores tingidas de castanho com manchas marrons, cinza e brancas. As asas são de coloração castanha com penas marrom acinzentadas com manchas conspícuas marrons e bege. As coberteiras são de cor acastanhada escuro com bordas bege. Quando em voo, o macho mostra as pontas enegrecidas das asas e também uma ampla faixa branca na asa. Na cauda, as duas retrizes externas apresentam em sua grande parte a coloração branca que é uma característica diagnóstica do sexo da ave. As partes inferiores são castanho acinzentadas, com marcações marrons e amareladas na barriga e nos flancos. A garganta apresenta uma mancha branca, esta as vezes fica restrita à porção inferior da garganta da ave. Suas asas são grandes e chegam a atingir até a metade do comprimento da cauda, facilmente visível quando a ave está em repouso. Na cabeça, a porção central de sua coroa é amplamente riscada de marrom escuro. O colar nucal está ausente nesta espécie. Os lores e a região auricular são de coloração castanha. O bico é curto e negro com duas grandes narinas na porção proximal. Os olhos são marrom escuros. As pernas são curtas e como os pés, são de coloração acinzentada.
O tamanho da ave, bem como a plumagem podem variar segundo a subespécie analisada, principalmente quanto a extensão de branco na cauda dos machos.
A fêmea tem nas asas, bandas estreitas de coloração bege ou parda. As penas da cauda apresentam barras e não apresentam as penas retrizes externas brancas que são encontradas no indivíduo do sexo masculino, somente a ponta da sua cauda é branca.
A plumagem dos imaturos se assemelha a plumagem do indivíduo adulto, com as bandas brancas/pardas das asas mais estreitas. Estas bandas das asas são brancas em jovens do sexo masculino e pardacentas em jovens do sexo feminino.
Alimentação
Sai para se alimentar à noite. O bacurau tem grandes asas, o que lhe permite perseguir e capturar insetos voadores. Bacuraus são excelentes voadores e extremamente ágeis quando estão em voo. Alimenta-se de numerosas espécies de insetos, como besouros, mariposas, borboletas, abelhas, vespas, e formigas que são capturados em voos curtos para o ar a partir do solo, ou em voos curtos a partir de poleiros. Também caça insetos voando sobre áreas abertas. São conhecidos como “engole-ventos” por causa de seus hábitos de alimentação, no qual voam baixo com o bico aberto tentando apanhar insetos
Reprodução
O ninho consiste em uma pequena depressão no substrato, sem ou com pouco preparo do local onde os ovos são depositados. A postura é de dois ovos postos em dias alternados, sendo que mais raramente a postura de apenas um ovo é encontrado. Mas estudos mostram que quanto mais próximo da linha do Equador, o tamanho da ninhada é na maioria das vezes de um ovo (Guilherme & Lima 2020). Utiliza a borda de trilhas no interior da floresta ou na própria borda desta (Lima et al. 2019). Os ovos possuem a forma elipsóide e coloração geral rósea com pequenas manchas de coloração rósea escura ou marrom. A média da sua medida é de 27 x 20,5 milímetros e com peso médio de 5,75 gramas. O período de incubação é de 19 dias e exercida por ambos os pais, sendo que a fêmea participa com maior frequência da atividade de incubação. Os filhotes abandonam o ninho entre 21 e 25 dias após a eclosão. A alimentação dos filhotes é efetuada por ambos os pais, sendo que o macho participa com maior intensidade desta atividade. Quando alguma ameaça predatória ao ninho se faz presente, o adulto realiza display de fingir lesão para proteger os filhotes e atrair o predador para longe do seu ninho. A plumagem definitiva dos filhotes ocorre por volta dos 22 dias de vida, quando começam a realizar pequenos voos coordenados (Hermes et al. 2011). Os filhotes possuem uma camuflagem quase perfeita, pois possuem uma coloração muito semelhante à da folhagem seca do chão da mata. Eles permanecem imóveis no solo, sendo muito difícil visualizá-los. Os filhotes podem se movimentar pelo solo mudando de local também como estratégia de camuflagem assim como fazem outras espécies de bacuraus (Observação pessoal, João de Almeida Prado, Bariri-SP).
Hábitos
Comum em bordas de florestas, capoeiras abertas, campos com árvores isoladas, cerrados, capões de mata podendo também ser encontrado em matas secundárias e em processo de reflorestamento. Vive no chão. Só é visto durante o dia somente se espantado. Nestas ocasiões, voa curtas distâncias e logo volta a sumir em meio à vegetação rasteira, procurando se camuflar em meio as folhagens no substrato.
Distribuição Geográfica
Todo o Brasil, onde há florestas ou capoeiras, e também no extremo sul dos Estados Unidos, México, toda a América Central e do Sul (exceto o Chile).
Fonte: Wikiaves