Inspetoria Veterinária alerta para casos de raiva bovina no município; mais de 30 animais podem estar infectados

A raiva bovina tem preocupado os produtores em Dom Pedrito. Robson da Rosa, médico-veterinário e fiscal estadual agropecuário e responsável pela Inspetoria Veterinária de Dom Pedrito, disse à reportagem da Qwerty Portal de Notícias que exames comprovaram que um animal morreu de raiva bovina e há outro caso suspeito em que ainda não chegaram o resultado dos exames. Ainda segundo o médico-veterinário, nas propriedades rurais, pode haver mais de 30 animais acometidos pelo vírus.
“Nós estamos com uma equipe à disposição dos produtores, basta que eles identifiquem onde estão os morcegos e nos avisem para irmos com a equipe até o local”, informou Robson, acrescentando que Lavras do Sul e São Gabriel estão tendo surtos de raiva bovina.
Raiva bovina
Estima-se que a raiva seja responsável pela morte de cerca de 50.000 bovinos por ano no Brasil.
A raiva bovina é geralmente transmitida pela mordedura de morcegos hematófagos, que atuam como portadores, reservatórios e transmissores do vírus da raiva. No Brasil, a espécie mais importante é a Desmodus rotundus. O vírus encontra-se na saliva do animal e, obviamente, é necessário que a saliva tenha contato com a ferida, pois o vírus não atravessa a pele íntegra. Existem também relatos da transmissão por via aérea que ocorre em cavernas (muito importante entre os morcegos) e locais fechados que abrigam animais doentes. Pode-se ainda ocorrer a transmissão acidental através da utilização de vacinas vivas e durante a necropsia de animais afetados pela doença.
Após a transmissão, o vírus desloca-se para o sistema nervoso e o curso da doença leva em média 10 dias. O período de incubação da enfermidade varia de 3 à 15 semanas.
Nos bovinos, a forma clínica mais comum é a raiva paralítica, entretanto, podem ocorrer casos de raiva furiosa. O animal afetado apresenta uma hipersensibilidade a todos os fatores externos. Ocorre uma nítida mudança de hábito. Os sintomas evoluem para perda da consciência, mugido rouco, aumento do volume e presença de espuma na saliva, midríase, fezes secas e escuras, andar cambaleante, paralisia dos membros posteriores e evolução para a paralisia dos anteriores. A morte ocorre 4 a 8 dias após o início dos sintomas.
Nos casos de suspeita clínica de raiva, não se deve matar o animal. Aguardar a evolução natural do quadro e colher material após a morte. Como a maioria das doenças que causam encefalite provocam sintomas semelhantes aos da raiva (tais como: plantas tóxicas, doença de Aujesky, clostridioses,… ) somente o exame laboratorial pode definir o diagnóstico. Atenção especial deve ser dada à necropsia, que deverá ser feita por um profissional, considerando-se o risco de contaminação e a grande importância da forma de coleta e envio da amostra para a eficiência do diagnóstico. Enviar, sob refrigeração, o cérebro, cerebelo e o hipocampo (sempre bilateral) e enviar juntamente as informações do histórico do caso. Nos casos em que o tempo entre a morte do animal e a chegada do material ao laboratório for superior a 48 horas, deve -se enviar o material em solução fisiológica estéril com 50% de glicerina. O exame mais utilizado é a imunofluorescência.
Nas regiões endêmicas, o controle da raiva é feito com a vacinação sistemática de 100% dos animais susceptíveis e o controle dos morcegos hematófagos. O controle dos morcegos hematófagos é realizado através da captura e utilização de uma pasta anticoagulante no dorso dos animais capturados, que são libertados e voltam à toca de origem. Quando os demais morcegos da colônia lambem o anticoagulante morrem de hemorragia generalizada.
Para que a vacinação proteja contra a doença é necessário que o animal seja vacinado e consiga produzir anticorpos antes da inoculação do vírus da raiva. Por isso, quando consideramos a vacinação, deve-se ter em mente que a vacina precisa de 21 dias para oferecer proteção aos animais. Quando a vacina viva for utilizada, vacinar somente os animais maiores de 4 meses de idade. A aplicação deve ser intramuscular profunda, e deve-se dedicar uma atenção especial com a conservação: não utilizar frascos com mais de 20 doses, não utilizar nenhum tipo de desinfetante (o vírus da raiva é muito suscetível à ação de desinfetantes comuns, tais como soluções à base de hipoclorito, formol, iodo e compostos quaternários de amônio). Nos próximos anos, utilizar vacinas inativadas. Mesmo que não haja focos de raiva é necessário vacinar os animais nas áreas endêmicas, uma vez que, existindo o morcego hematófago, pode surgir a qualquer momento um novo foco.