Dom Pedrito – Prestes a realizar o sonho da casa própria, Chabu espera começar a construir em março

Há 14 anos começou, com um grupo de pessoas, do qual a maioria já não está mais em Dom Pedrito, a luta pela casa própria. Na primeira reunião, cerca de 100 pessoas se interessaram pela ideia de ter a sua residência, mas que se enquadraram nos requisitos foram 50 famílias. Até conseguirem se encaixar no programa Minha Casa, Minha Vida 1, os cooperados enfrentaram a burocracia e uma busca difícil para encontrar um terreno adequado para a construção das casas. A área foi doada pelo município em 2009, que comprou o terreno, através de emendas parlamentares.
Conforme a ex-presidente e atual vice-presidente do Cooperativa Habitacional Bela União (Chabu) Mari Duarte, os requisitos principais que foram exigidos para chegar a estas 50 famílias foi baixa renda, pessoas com algum nível de vulnerabilidade social. Ela ingressou na Chabu com o intuito, também, de adquirir a casa própria e acabou se tornando uma das líderes da luta e conquista do Condomínio Habitacional Bela União.
Para se habilitar a algum programa habitacional do governo, foi necessário regularizar a Chabu como cooperativa. Até isso se concretizar foram cerca de seis anos, conforme explica Mari. Após, foi preciso cadastrar a cooperativa no Ministério das Cidades e habilitá-la. Com isso, a Chabu pode hoje construir 500 casas em Dom Pedrito e é possível aumentar este número, desde que a entidade acumule pontos, pois de três em três anos o cadastro no Ministério das Cidades deve ser atualizado, com apresentação de relatório, sendo que as atividades e o envolvimento da cooperativa são avaliadas. A cooperativa precisa demonstrar credibilidade, comprovada através dos relatórios. “A maioria das pessoas contempladas hoje ainda são os que começaram há 14 anos. Alguns mudaram, pois tiveram condições de adquirir o seu imóvel ou foram embora, mas as vagas foram repassadas a outras pessoas da família”, explica Mari.
Para o Condomínio Bela União serão 40 casas construídas, mas, ao todo, é possível construir 500. O restante está previsto para integrar o projeto do Loteamento Ponche Verde, que está sendo feito. Para poder participar dos processos de seleção da Chabu é necessário realizar cadastro e se tornar cooperado.
Mari explica que cada casa contempla cinco peças: dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. “Este é o padrão do Minha Casa, Minha Vida 1. O valor total de cada casa é R$ 59 mil, cada pessoa vai pagar 5% da sua renda durante dez anos. Então se a pessoa comprovar que ganha R$ 1.600, que é a renda máxima permitida, a prestação vai ser de R$ 80 durante dez anos. O restante é subsídio do Governo Federal”, conta Mari. O projeto prevê quadra esportes, uma sede da cooperativa e, na frente, uma área para aluguel comercial e o total da área do terreno chega a 1.110 m2.
De acordo com Mari, o próximo passo é a elaboração dos projetos de engenharia, planta baixa, planta elétrica e, após, ser aprovado pela Secretaria Municipal de Planejamento e pela Caixa Econômica Federal. “Depois de aprovado, é só começar a executar a obra. Queremos que o próprio pessoal da cooperativa execute a obra, porque o módulo cooperativa permite a contratação direta, sem necessidade de fazer licitação. Inclusive, estamos em fase de limpeza do terreno”, comenta Mari.
A vice-presidente acredita que em março do próximo ano as obras iniciem, tendo como base o prazo de 120 dias para a apresentar os projetos que faltam para a Caixa Fedetal poder liberar os recursos. Após, Mari estima que a obra esteja concluída em um ano. A Chabu é a única entidade habilitada na Metade Sul do Estado e faz parte do Movimento da Luta pela Moradia (MLM), que representa entidades deste caráter em nível nacional.
A conquista
Gilcelle Duarte Martins, uma das contempladas, entrou na vaga de seu irmão, que foi embora de Dom Pedrito, mas estava desde 2008 com lugar garantido para ser beneficiado com uma das casas. Ela comenta feliz da vida sobre a sua expectativa para o início e conclusão das obras. “Sempre vi a luta da Mari e estava junto, esbarrando na burocracia. E agora a sensação é muito boa, de ter uma casa nova, bonita. Que jeito a gente ia ter de construir uma casa assim? Aí as pessoas acham que é fácil montar uma cooperativa. Não é fácil e ninguém ganha nada para lutar pelo sonho coletivo das pessoas. E agora, praticamente sem esforço vou ter a minha casa. O que não seria possível se fosse tentar um financiamento individual”, comemora.