Dom Pedrito – Exclusivo: Mãe do jovem Hender Bernardini fala sobre a morte do filho

Um jovem cheio de vida e de sonhos. Assim era Hender Bernardini, que foi vítima de um trágico acidente ocorrido na noite de sábado, 22 de maio de 2010, nos cruzamentos das ruas Duque de Caxias e Ministro Demétrio Mércio Xavier.
Na época, com 20 anos, o jovem trabalhava na obra da barragem e tinha um ciclo grande de amizades, onde era amado por todos os amigos, que até hoje manifestam sua tristeza com saudade e dor. Completados exatamente quatro anos da morte do jovem, a reportagem do Portal Qwerty de Notícias, entrevistou a mãe de Hender, Maira Gulart Bernardini, que relatou em uma longa conversa como foi seu filho durante a infância e também como foi o dia da tragédia em que vitimou o mesmo. Abaixo, segue os relatos da mãe do jovem à nossa reportagem.
“O Hender era um filho amoroso, nós não fazíamos nada um sem saber do outro, não tínhamos segredo algum. Quando criança gostava muito de jogar futebol, fazia parte de uma escolinha de futebol da AABB e conforme foi crescendo, aderiu o skate como esporte e gostava bastante de andar de bicicleta, assim como todas as crianças. Serviu para a Marinha do Brasil e já quando adulto, pegou paixão pelo seu carro com som alto e também a sua moto”, relata a Maira.
O dia da morte
Segundo Maira, no sábado, dia da morte do seu filho, como de costume chegou do trabalho, tomou banho, jantou e disse “mãe, vou dar uma volta”, e neste momento pegou a moto e saiu. “Ele foi a um mercado aqui próximo a nossa casa e ficou algum tempo conversando com o pessoal. Alguns minutos depois ele saiu pela Rua Ministro Demétrio Mércio Xavier em sentido leste/oeste e ficou por um tempo parado em frente à Escola Estadual de Ensino Fundamental Coronel Urbano das Chagas, logo quando seguiu seu trajeto, foi surpreendido por uma camionete que depois descobrimos, segundo relatos de algumas testemunhas, de que se tratava de uma camionete Ranger de cor preta que teria o atropelado e fugido instantaneamente do local”, conta a mãe do jovem.
“Eu estava em casa e fui avisada por um amigo, que o meu filho teria sofrido um acidente, rapidamente saímos eu e minha família para a esquina do Urbano e constatamos que era mesmo ele, mas confesso que em nenhum momento passou pela minha cabeça que ele iria falecer. Lembro que ao chegar ao local, meu marido achou o chassi da camionete e entregamos a Polícia, foi quando descobrimos que esta parte do veículo se tratava de fato, do chassi de uma Ranger”, afirma à entrevistada.
“Ao chegar ao hospital, meu filho estava consciente, falava e se comunicava comigo. Disponibilizaram-nos a ambulância rapidamente e íamos eu e o meu sobrinho, juntamente com uma enfermeira para Bagé, pois o estado de saúde dele inspirava cuidados, mas na BR-293, antes de chegarmos a Polícia Rodoviária Federal ele apertou minha mão e disse “mãe, eu tô indo”, e neste momento o meu filho faleceu. O Hender sofreu traumatismo craniano, mas não foi forte, o que mais agravou e o levou a morte, foi à perfuração do pulmão, com a costela que quebrou”, acrescenta Maira.
Foram realizadas diversas passeatas com cartazes e manifestos em que família, amigos e pessoas da comunidade participaram. “Não sinto ódio de quem matou meu filho, pois nossa família é evangélica e não guardo rancor. O sentimento que tenho comigo é algo que nem eu sei descrever, mas não desejo o mal para a família do acusado, pois entreguei tudo nas mãos de Deus. Talvez a gente ainda receba alguma indenização da justiça, mas nem fazemos questão, pois o que queremos mesmo é o meu filho aqui de volta, e sabemos que nada vai trazer ele para junto de nós. Aquele foi um dos piores anos da minha vida, pois 14 dias depois do Hender morrer, meu irmão se suicidou, pois sofria depressão. Pouco tempo depois, minha mãe morreu. O cachorro do meu filho também morreu exatamente um mês depois dele morrer, também vítima de um acidente. O cachorro que sempre andava com ele, foi atropelado por uma Kombi e sofreu traumatismo craniano e também teve o pulmão perfurado pelas costelas”, confessa.
Quatro anos após a morte do jovem
“Outra grande perda foi à morte do meu marido Lírio que faleceu no ano passado, devido a graves problemas de saúde que se agravaram muito mais em decorrência da morte do Hender, em que depois disso, ele sofreu um grande abalo. Hoje a casa está sempre cheia, meus familiares me visitam sempre, nunca me deixam sozinha, sempre querem saber se preciso de algo e se estou bem, são pessoas que me fazem trazem um enorme conforto”, desabafa Maira.
Para finalizar a entrevista, a mãe do jovem disse à nossa reportagem, que “todo mundo sabe o que realmente aconteceu naquele dia, tenho esperança que tudo seja resolvido o mais breve possível e peço que Deus tenha compaixão desta família”, conclui Maira.